Daniela Menti

Então, quer dizer que você ainda não superou aquele mozão do passado, por isso clicou no link? Muito bem, não estamos aqui para te julgar, todos já passamos por isso. Passando por Zagreb, capital da Croácia, você vai encontrar este museu dedicado aos corações partidos ao redor do mundo.Imagine um espaço dedicado a expor objetos de pessoas ao redor do mundo que remetem a um relacionamento que já não existe mais. São cartas, cartões postais, peças de roupas até objetos peculiares, como uma amostra da casca de uma cicatriz, dreads e até um coração de cerâmica feito a mão.

O museu foi fundado por dois artistas da própria cidade, Olinka Vištica, uma produtora cinematográfica, e Dražen Grubišić, um escultor. Depois que seu relacionamento amoroso de quatro anos chegou ao fim em 2003, os dois brincaram sobre a criação de um museu para abrigar itens pessoais que sobraram. Isso é o que eu chamo de pessoas evoluídas. Ao invés de juntar todas as roupas do ex e jogar pela sacada a la novela das oito, ou quebrar o carro do parceiro com um taco de Golf a la clipe da Taylor Swift, os dois juntaram suas recordações e abriram o museu.

O museu já realizou exposições ao redor do mundo desde as Filipinas até a Argentina, e ganhou reconhecimento na Europa. Segundo o Fórum Europeu de Museus, o Museum of Broken Relationships “estimula a discussão e a reflexão não apenas sobre a fragilidade das relações humanas, mas também sobre as circunstâncias políticas, sociais e culturais que envolvem as histórias contadas. O museu respeita a capacidade do público de compreender questões históricas e sociais mais amplas, inerentes a diferentes culturas e identidades, e fornece uma catarse para os doadores em um nível mais pessoal”.

É muito curioso ver os objetos e ler as histórias que eles representa, notando as diferenças culturais entre seus antigos donos. Melhor ainda é ver que não sofremos pela morena sozinhos. Todo mundo tem aquela caixinha escondida no fundo do armário com objetos, cartas, fotografias que nos marcaram e de algum jeito não conseguimos nos desapegar. Então, que tal doar para o Museu? Você pode ser um colaborador, pessoalmente ou virtualmente. Aqui você pode ver como fazer isso.

Ter um coração partido é um ciclo que todos irão passar algum dia, de um jeito ou de outro, e qual é o melhor jeito da gente superar isso? Rindo das outras pessoas que do mesmo jeito se deram mal! Selecionei alguns itens mais interessantes pra gente chorar/rir junto.

Verão de 2007 – Filipinas

“Ele tinha outra mulher. Ele não poderia me fazer seu número 1; Eu não aguentava ser seu número 2.”

1996 – Amesterdã

Era 1959, um jovem casal se amava em Amsterdã, mas o destino os separou, o menino se mudara para a Alemanha, e a menina entrara para a prostituição. Mesmo entre cartas apaixonadas, com lágrimas e promessas de nunca se casarem com outra pessoa, foram se distanciando. Ela começou a trabalhar com uma dominatrix e na sua segunda semana ao fazer um cliente lamber seus saltos altos por não ser submisso o suficiente, ela viu que era seu primeiro amor. Ele agora estava no segundo casamento e pediu que ficasse com um de seus sapatos como lembrança. “Quando ele saiu pela porta, parecia que meu pé sem salto não era mais meu”.

Manilla, Filipinas

“Ela deu para mim como uma lembrança antes de eu sair. Eu nunca entendi porque ela deu uma lupa nem ela nunca explicou o que isso significava. Mas ela sempre dizia que se sentia ‘pequena’ sempre que estava perto de mim.”

Yerevan, Armênia

“Eu sou uma mulher de 70 anos de Yerevan, a capital da Armênia. (…) Este é um cartão postal que foi inserido através da fenda da minha porta há muito tempo pelo filho de nossos vizinhos. Ele estava apaixonado por mim há três anos. Seguindo a antiga tradição armênia, seus pais vieram à nossa casa para pedir minha mão. Meus pais se recusaram dizendo que o filho deles não me merecia. Eles saíram bravos e muito desapontados. Na mesma noite seu filho jogou seu carro de um penhasco”

Stavanger, Noruega

Este ferro foi usado para passar meu vestido de casamento. Agora é a única coisa que resta.

Leiden, Holanda

Ele deu Snoopy para mim no meu aniversário de 17 anos. Nós nos apaixonamos seis meses antes, em 5 de outubro de 1981. Trinta anos depois, tivemos três filhos, uma casa, etc. Ele se apaixonou por outra mulher e a escolheu … Ele partiu meu coração. Dizendo-me que ele não me amou de verdade nesses 30 anos. Eu simplesmente não entendo.

Senti uma sensação de conexão lendo todas estas memórias de pessoas tão distantes, no início fiquei triste ao ver que estas relações não existem mais, mas lá no fundo tive um sentimento de alívio pelo fato de meus próprios relacionamentos fracassados ​​serem apenas um punhado de um número infinito de relacionamentos que terminaram da mesma maneira ou pior. Pude ver que o problema de todas as “broken relationships” que eu passei não são de fato culpa minha, e de longe estou sozinha nisso. E você que leu até aqui e concorda comigo, está mais do que na hora de jogar aquela caixa de lembranças fora, afinal não somos donos de ninguém e muito menos do passado.

O museu funciona diariamente de 9h às 22h30 no verão (1º de junho a 30 de setembro) e de 9h às 21h no inverno (1º de outubro a 31 de março).

Endereço: Ćirilometodska 2 – Tel.: +385 1 4851021 – E-mail: [email protected]

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Roteiro: 21 dias nos Bálcãs – Eslovênia, Croácia, Bósnia, Montenegro, Macedônia, Bulgária e Romênia


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