Daniela Menti

A Raísa Casagrande fez um intercâmbio cheio de histórias em Portugal, e preparou esse relato lindo. 

“O avião se preparava para o pouso e eu estava mais concentrada em não vomitar do que olhar pela janela e avistar a cidade que seria a minha cidade em breve.

Ok, respira, respira, respira.

Desde pequena eu tenho enjoos facilmente e, por isso, quando o avião está pousando é sempre um pouco complicado pra mim.  A descida é sempre péssima. Mas ok. Eu precisava dar uma espiadinha. Vamos lá.

Cinco segundos olhando pela janela e eu entendi: estava em Portugal, mais especificamente na cidade do vinho mais famoso do mundo, no Porto.

Os telhados laranja. O azul do céu. Os raios solares que iluminavam. Essa combinação de azul mais sol mais frio de Portugal sempre vai ser a golden hour da minha vida.

Eu poderia falar sobre situações que vivi, das pessoas que eu conheci, mas eu prefiro falar das sensações, de tudo o que eu senti.

Porto me esmagou. Por todas aquelas ruas estreitas e varais de roupas e portuguesas de aventais.

Porto me recebeu. Do lado de lá, o Atlântico é sempre gelado. Cada onda faz nosso corpo estremecer pra nos lembrar onde estamos.

Porto me deu uma família. Na casa de um tugamau-humorado, d-e-z-e-s-s-e-t-e brasileiros se (re)encontraram e viveram felizes.

Porto me mostrou tradição. Na Queima das Fitas (comemoração anual dos estudantes formados), as ruas se transformaram num filme do Harry Potter com todos aqueles jovens de capas pretas usadas desde o início da faculdade.

Porto me emocionou. Na noite mais animada do ano, na noite de São João, com todos os balões, sardinhas e martelos nas ruas.

Porto me encantou. Na Ribeira, no rio Douro, cada pôr-do-sol que eu vi era como se fosse a minha primeira vez naquele lugar.

Porto me inspirou. Cada professor da Universidade do Porto era uma lição sobre quem eu quero me tornar.

Porto me seduziu. Toda noite, em cada bar, em cada festa, em cada comemoração. Sotaques, amores, cores e sabores.

Porto me alegrou. Um dia triste para  6 meses +1 dia em solo português.

Porto me amadureceu. Morar fora do seu país é aprender a admitir que nem sempre se sabe pra onde ir. É ter cuidado.

Porto me deu liberdade. Aprendi que ser livre não é dizer sim para tudo.

Porto me deu saudade. Hoje, carrego a palavra tatuada em mim.

Porto me transformou. O café forte. As construções antigas. Os doces. Os livros nos sebos. O vinho. O fino (cerveja). A vodka preta. Os amigos de todos os lugares do mundo. Os amores passageiros e as paixões eternas (sim, confuso desse jeito). Os bares estudantis. A comida sem sal. O metro (metrô, no Brasil). O comboio (trem). O autocarro (ônibus). Gajos e Gajas (meninos e meninas). As expressões. O sotaque. Nenhuma palavra conjugada no gerúndio. Os azulejos. As gaivotas. Os barcos. A praia. Os pasteis de nata. Pois, pronto.

O embarque havia começado. Olho para o meu parceiro nessa aventura louca de viver em outro país e não quero partir. Acho injusto dizer adeus para tanta felicidade. Dormi durante o voo de vinte minutos me função do cansaço. Na escala em Lisboa, eu penso que não existe adeus para aquilo que a gente não quer se despedir. Quando o avião decola, eu tiro a última foto lá do alto e saúdo “bom dia Lisboa, até breve Portugal”.

Dom Pedro I do Brasil deixou – literalmente – seu coração no Porto. Ordenou que o entregassem após a sua morte e o órgão jazz até hoje num altar de uma igreja. De tempos em tempos, existe uma celebração em função deste fato histórico.

Acho que eu e Pedrinho temos algo em comum: meu coração também ficou por lá. ”

Texto por Raísa Casagrande.

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